Camila Achutti, CEO e co-founder da Mastertech, é referência mundial na luta por mais mulheres na tecnologia. Ela esteve presente na segunda edição do #PushSP e contribuiu com sua experiência no painel "Mulheres no mercado de trabalho", relatando a importância da tecnologia em uma era tão conectada e, também, da presença da figura feminina nessa área tradicionalmente machista. Neste texto, Camila aborda a relação entre a tecnologia e a moda, mostrando que o conhecimento da primeira pode ser aplicada em diversas áreas.

Vivemos em uma sociedade moderna, cercada de telas azuis e aparelhos digitais, em uso constante e com consequências profundas. Trabalhamos usando o computador, nos comunicamos usando o celular, criamos em softwares digitais. Ainda assim, não somos educados a pensar e agir junto a tecnologia.

Embora a gente esteja cada vez mais dependentes de tecnologia e continua adotando novas tecnologias em um ritmo incessante, nós não estamos equipados para tomar decisões criticamente sobre tecnologia.

O letramento tecnológico ou digital vem se instalando tardiamente no Brasil. Agora é que estamos vendo uma potência em projetos de tecnologia tomando conta das empresas, das comunidades, dos temas mais comuns do dia a dia.

Agora é que estamos vendo mais mulheres se colocando como mediadoras dos processos tecnológicos e inserindo esses processos em novos meios. A moda é um deles.

 

Moda e Tecnologia, combinam?

A indústria da moda foi por muito tempo surpreendentemente antiquada. Durante décadas, contou com mão-de-obra barata e manual para fazer praticamente todos os trabalhos.

Felizmente, está entrando em um período de mudanças radicais, onde marcas de futuro estão se voltando para a tecnologia para acelerar drasticamente a forma como fabricam roupas.

A Levi's começou a lançar lasers para suas fábricas de fornecedores que fazem o trabalho de produção calças jeans, angustiante do início ao fim, em menos de dois minutos. Um trabalho que já exigiu muito tempo e esforço de mãos humanas.

A Zozo, a maior empresa de comércio eletrônico do Japão, está transformando nossos smartphones em dispositivos de medição de corpo através da tecnologia 3D, possibilitando a aquisição de camisetas, jeans e outros itens personalizados, mais rápidos e baratos, em grande escala.

A mudança não está surgindo do nada. A indústria está tentando desesperadamente acompanhar o mundo ao seu redor. As mídias sociais permitem aos compradores acompanharem todas as tendências no momento em que aparecem.

Fast fashion e e-commerce nos treinaram para esperar acesso instantâneo a tudo, enquanto as gerações mais jovens estão exigindo cada vez mais que sejam capazes de adequar os produtos às suas preferências.

Grande parte da indústria ainda está fora de sintonia com essa realidade, produzindo pilhas gigantescas de estoque com meses de antecedência sem saber ao certo o que vai vender.

As marcas mais rápidas e mais receptivas ao mercado estão ganhando nesse ambiente, e é por isso que as empresas mais ambiciosas estão usando soluções de alta tecnologia para agilizar de formas diferentes e dar aos clientes exatamente o que eles querem.

Se já não bastasse a tecnologia incorporada no teste de tecidos e outros materiais de manufatura, nas máquinas de produção em massa e na criação de roupas personalizadas, ainda existe o gigantesco mercado de pesquisa em tecnologia para a venda de produtos de moda.

 

E-commerces e a tecnologia na venda da moda

Desde 2016, quando 48 milhões de pessoas efetivaram compras online, o crescimento do uso de aparelhos digitais para compras online continuou vertiginoso mesmo em períodos de crise.

De acordo com pesquisa dos profissionais do Ebit revelada no relatório, o ano de 2018 chegou ao fim com mais de 60 milhões de consumidores online, ou seja, aproximadamente 5 milhões de compradores a mais do que no ano anterior.

Em um mundo conectado, toda transação fica mais rápida, eficiente e possível. Ver uma personagem na TV usando uma roupa que você quer e conseguir comprá-la automaticamente, pelo próprio dispositivo de televisão, já não parece nada distante.

Parece que não faltam oportunidades pelo caminho, não é? A verdade é que precisamos formar uma geração capaz de conduzir uma mudança tecnológica de forma mais inteligente, abrangente e colaborativa, em todo lugar.

Foi por esse motivo que criamos o MaisQTech, um encontro para desmistificar perspectivas e conscientizar as pessoas de forma democrática e inclusiva sobre moda e tecnologia. Quer fazer parte dos próximos encontros? Se inscreve aqui!