Eu me questionei se naquele ano eu ganharia o dinheiro que planejava. Se me contratariam. Se daria conta dos clientes e dos workshops. Se meus cursos online teriam saída. Se de fato ajudariam alguém. Ah, sim, me senti uma fraude quando escrevi seus roteiros, uma megera quando dispensei parceiros, uma “loser” quando perdi trabalhos... Mesmo que o mundo e os resultados me dissessem que estava tudo bem, eu senti.  Você também, né? 
No verão passado, neste e ao longo dos anos duvidamos da nossa capacidade, ficamos apavoradas com a possibilidade de perceberem que não somos “isso tudo”, nos comparamos e nos sentimos inferiores, creditamos nossos feitos à sorte, deixamos que nos calem, ou falamos mas na sequência nos perguntamos por que não fechamos a boca. Pelo menos alguma dessas dúvidas rondou sua cabeça como um pernilongo insistente em noite de verão…
Eu sei. 
 
O diálogo interno contraditório e repetitivo é natural quando não aparece completamente descolado da realidade. 
A vida traz um resultado. Nós vemos outro. Ou até vemos o resultado. Mas duvidamos dele porque no fundo duvidamos de nós. 
É aí que o fluxo de pensamentos natural se torna contraproducente. Quando a balança pende para o “eu não consigo” e sensação de ser uma fraude trava, aprisiona, entristece, diminui. E, aí, sim, pode afetar os resultados.  
 

Você, eu, nós temos a Síndrome da Impostora

Não trago fórmulas mágicas, mas dou nome aos bois — ou às vacas, para manter o diálogo no feminino. 
Estamos falando da Síndrome da Impostora, que não é um síndrome reconhecida pela psicologia em si, mas o nome dado àquilo que você e eu sentimos com uma frequência maior do que os homens: a inadequação, a sensação de insuficiência, de ser um embuste, de fracasso autoanunciado. 
Há muitas explicações para sermos mais acometidas por este mal que eles. No bojo de todas elas está o machismo, a grande âncora por trás dessa toada de autoflagelos mentais. 
Para no mínimo nos sentirmos melhores, vale a pena tirar o machismo da condição de perene, do “é assim e pronto”. Você merece falar e ser ouvida, você não é menor, você não deu só sorte, você é boa, você tem talento, você pode e precisa se desenvolver e não tem nada que te desabone nisso. 
Você não perfeita. E daí?! 
Dói mais pra gente errar, assumir que temos que melhorar algo e botar pra fora nossas vulnerabilidades justamente porque nos sentimos especialmente julgadas e inferiores. Se eu demonstrar fraqueza, perdi — eu mesma pensei isso a vida toda. Não nos damos permissão para ser humanas (conceito que o expert em Psicologia Positiva Tal Ben-Shahar usa para falar da falácia que é nos obrigarmos a ser estáveis). 
Humanas com fraquezas e forças, dores e acertos. Intuímos que se não formos heroínas não temos valor. Um maniqueísmo simplório, mas tão presente.
Voce não é boa ou má. Fraca ou forte. Competente ou incompetente. Você apenas é. É os dois, é humana, suficientemente humana. 
 

Abrace a Síndrome para se libertar dela

Como se empossar dessa dualidade sem se sentir menor? Eu diria que assumir a existência da Síndrome da Impostora é o “Day One”,
o primeiro passo para… 
  1. Finalmente se tocar de que se sente uma fraude e, alô, você não está sozinha. Isso é um afago na alma, a sororidade ao nosso alcance. Vamos falar disso, vamos dividir isso, vamos nos unir contra isso. 
  2. Agir de acordo com aquela voz profunda e menos crítica que mora aí dentro. Seguir os sonhos. Ir atrás do que tem vontade ainda que a Síndrome da Impostora grite que você não merece. 
  3. Abraçar a vulnerabilidade. Entender o que há por trás da mania e do hype de “dar conta da jornada dupla” (que não deveria ser dupla só para você), de não poder fraquejar, ter medo e muito menos expor o medo. Não dar conta às vezes é perfeitamente normal e esperado. Isso não deveria te diminuir. 
  4. Entender que o fracasso é um degrau para o sucesso, e só. As coisas não deram errado porque “tá, vendo você é um lixo”. As coisas deram errado porque coisas também são feitas para dar errado. E porque talvez você precise ajustar algo. Talvez — talvez — você tenha feito algo “lixo”. Mas isso não faz de VOCÊ um lixo.

Crédito: (Reprodução/Google)

Tantas palavras para um objetivo: queria te lembrar de que seus erros não são você, assim como sua voz crítica não é você. Nem tudo o que você sente é a verdade absoluta, se é que isso existe. Reconheça essa voz que te repreende, diminui ou maltrata e delicadamente baixe alguns decibéis dela. Ela não vai sumir, mas tende a se intimidar. Deixe que os resultados que a vida te traz falem mais alto que ela. E falem por você.
 
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