motivação

Que tal pensar dentro da caixa?

Por: Girls Revolution

Às vezes tenho a impressão que o mundo profissional virou um grande milk shake de jargões que as pessoas repetem e moldam suas ações à imagem e semelhança daquelas frases aparentemente cool, repetida diversas vezes até se tornarem verdade.

Eu poderia citar várias, mas uma que vinha me incomodando recentemente era a tal de “pense fora da caixa”. Beleza, pensar fora da caixa, legal. Ser criativo, né? Fazer coisas diferentes… show de bola. Até que você para um pouco, começa a olhar o mercado e ver que as pessoas estão preocupadas demais em só olhar para fora da caixa. E posso falar uma verdade dolorosa? Pensar fora da caixa pode ser um ótimo passo, mas o que sustenta seu negócio é o que está dentro dela.

Expandir os horizontes é maravilhoso - eu diria até necessário em algum momento - mas você só deve pensar no carpaccio de merluza negra com folhas de ouro sob cama de folhas colhidas por elfos albinos das colinas depois que o “feijão com arroz” do seu negócio estiver muito bem feito, obrigada.

Há alguns anos, teve um frisson na minha cidade com um sushi de esteira que tinha aberto. Embora não fosse novidade no resto do mundo, aqui era o primeiro. Todo mundo quis conhecer. Inclusive eu, né? A proposta era boa, lugar bonito, instagram super bem feito, fui feliz e com fome. Ao chegar, vi que os preços não eram lá muito convidativos, mas estava disposta a pagar para experimentar. Esperei 5 minutos para o primeiro sushi aparecer na esteira. Nada. Depois de uns 10min, achamos por bem perguntar se havia algum problema. O garçom estava mau humorado e disse que não sabia. Até que uns 15min depois, apareceram 3 porções de sushi na esteira, para um monte de pessoas que aguardavam. Então de cara, as premissas principais da operação não estavam sendo entregues: rapidez (na esteira os sushis já deveriam estar lá prontos rodando, ao alcance da mão do cliente) e variedade (as porções costumam ser pequenas para você provar várias coisas diferentes que deveriam ficar passando na sua frente). Pedimos um refrigerante. Mais 10min, para chegar. Juntando com a demora do sushi (que ainda não havia dado o ar da graça), decidimos ir embora. Chateados e com fome. 

O restaurante tinha tudo: conceito, espaço legal, fator novidade, mas não tinha o principal: bom serviço e atendimento. Nunca mais voltamos. Não gosto de julgar, mas talvez a pessoa por trás do empreendimento estivesse pensando em todos os fatores externos, mas claramente estava falhando na essência do negócio. E aí quando eu acho que o “pensar fora da caixa” vai por água baixo. É preciso muita madeira pra fazer o barco navegar e os clientes estão cada vez mais implacáveis. Eu acho melhor ser um barquinho pequeno, forte e flutuante, do que um Titanic: navio enorme, inovador, mas sem preparo para as intempéries e acabar afundando no final. E vocês, o que acham sobre isso? 

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