Por que votar é tão importante?
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Por que votar é tão importante?

Hoje, 15 de novembro de 2020, acontecem as eleições municipais em todo o Brasil. É durante as eleições municipais que escolhemos os gestores de cada município de nosso país, são eles prefeitos e vereadores e, assim como as eleições nacionais e estaduais, acontecem a cada quatro anos.


Quando falamos de eleição, estamos falando diretamente do direito de voto. O voto é a forma mais significativa de participarmos da gestão de nosso país e desde a constituição de 1988, onde foi instituído o sufrágio universal, isto é, todo cidadão dentro das normas legais têm direito ao voto no Brasil, a democracia representativa foi ampliada e essa vitória, merece ser comemorada. 


A luta pelo sufrágio feminino, foi durante décadas, pauta principal no movimento feminista e só muito recentemente esse direito foi concedido a maioria das mulheres. Por isso, não tem como passarmos por um dia tão importante para a política e para a democracia nacional, sem mergulharmos na história do voto feminino e celebrarmos a luta de milhares de mulheres mundo afora.


Apesar da Nova Zelândia ter sido o primeiro país a conceder o direito de voto às mulheres, em 1893, a história considera o berço do movimento sufragista feminino o Reino Unido. Isso se deve ao enorme movimento e conquista criado pelas suffragettes, ou sufragistas, assim nomeadas por terem iniciado o movimento à favor da extensão do direito do sufrágio às mulheres. Tudo começou em 1897, com a fundação da União Nacional pelo Sufrágio Feminino, pela educadora britânica Millicent Fawcett. Os movimentos da União eram inicialmente pacíficos e questionavam o fato de as mulheres serem consideradas capazes de assumir postos importantes na sociedade inglesa, como por exemplo, o corpo diretivo das escolas, mas ainda serem vistas como ignorantes e incapazes de compreender o funcionamento do Parlamento Britânico, logo, incapazes de serem consideradas eleitoras. Mostrando que, apesar das leis do Reino Unido serem aplicáveis às mulheres, elas não eram consultadas ou convidadas a participar da elaboração delas. 


As atividades e manifestações pacíficas das mulheres nesse período não trouxe retornos ou posicionamentos dos governantes da época, foi só quando liderado por Emmeline Pankhurst que o grupo de sufragistas deu um passo à frente, começando a organizar greves de fome e desobediência civil. Foi só a partir daí que o movimento chamou atenção da opinião pública e houve uma grande divulgação da causa. O movimento foi se tornando cada vez mais energético e confrontativo, culminando em situações constantes de confronto entre policiais e sufragistas. Resultando indiretamente na primeira morte do movimento, Emily Davison, que se atirou em frente a um cavalo do Rei da Inglaterra. Sendo considerada a primeira mártir do movimento. 


Com o início da Primeira Guerra Mundial, em 1914, as mulheres foram obrigadas a saírem das ruas e assumirem postos, atividades e trabalhos que até então eram considerados masculinos, como trabalhar em fábricas e indústrias. Essa participação ativa das mulheres na Grande Guerra foi vista como extremamente positiva pela mídia e pelos representantes políticos da época e, após o final da guerra, em 1918, o primeiro direito de voto foi concedido às mulheres. Na época, mulheres acima de 30 anos que comprovassem moradia no país, puderam votar. 



Nos Estados Unidos, após diversos movimentos inspirados nas sufragistas britânicas, o direito de voto feminino foi concedido em 1920. Mas mulheres e homens negros só receberam o direito de sufrágio em todos os estados americanos em 1960. É importante destacarmos a importância de Harriet Tubman, conhecida como Black Moses, ativista afro-americana abolicionista, responsável por conduzir diversos escravos à liberdade e ser uma das grandes oradoras do movimento sufragista norte-americano. 


Inspirado pelos movimentos sufragistas ao redor do mundo, o Brasil iniciou a luta pelo direito do voto feminino no final do século XIX e início do século XX. Bertha Lutz foi um dos principais nomes do sufrágio feminino brasileiro e se manteve sempre à frente do movimento. Em 1910 foi fundado o primeiro partido político feminino, o Partido Republicano Feminino, por Leolinda Daltro e outras grandes intelectuais. O objetivo maior do partido era claro: a luta pelo sufrágio feminino, uma vez que as mulheres não podiam votar e nem ser votadas. O partido organizou diversas manifestações e exposições e logo de cara obteve atenção da imprensa e do público. O Partido Republicano Feminista teve o importante mérito de lançar, no debate público, o pleito das mulheres pela ampla cidadania.


Em 1922, Bertha Lutz fundou e dirigiu a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino. A Federação teve papel fundamental na conquista do sufrágio feminino e na luta pelos direitos políticos da mulher. Até hoje, a organização é considerada como a organização feminista com maior inserção nas esferas de poder da época. Suas participantes escreveram na imprensa, organizaram congressos, articularam com políticos, lançaram candidaturas e até representaram o Brasil no exterior. 


Influenciado pelo grande e poderoso movimento sufragista brasileiro em 1932, o então presidente, Getúlio Vargas, removeu todas as restrições às mulheres em relação ao voto do plano nacional e foi então instituído o Código Eleitoral Brasileiro, onde continha que era eleitor o cidadão maior de 21 anos, sem distinção de sexo. Porém, o código ainda dispunha que os homens com mais de 60 anos e as mulheres em qualquer idade podiam se isentar de qualquer obrigação eleitoral. Logo, o voto feminino não era obrigatório. A obrigatoriedade eleitoral só veio em 1946. 



O último país a estender o direito de voto às mulheres foi a Arábia Saudita, em 2015, dando um tímido passo em direção à igualdade de gênero.

 

 

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