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Maria Teresa Fornea: conheça uma das empreendedoras mais promissoras de 2020

Não é novidade que estamos sempre de olho em empreendedoras que se destacam em suas áreas. E por isso não poderíamos deixar de compartilhar com vocês a história da Maria Teresa Fornea, co-founder da Bcredi e uma das nossas apostas como empreendedora que tem tudo para ser destaque em 2020. Ela criou a maior startup de crédito imobiliário do país e nos contou como identificou a oportunidade de mercado para abrir o seu negócio, as expectativas para as mulheres empreendedoras em 2020 e, também, os conselhos para quem deseja empreender. Confira abaixo!

1. O que é a Bcredi? 
A Bcredi é uma fintech (startup de serviço financeiro que inova através da tecnologia) fruto de 12 anos de experiência no mercado de crédito imobiliário. A plataforma é especializada na originação e na gestão de crédito com garantia de imóvel e financiamento imobiliário. O processo é 100% online e cobre o fluxo do produto de ponta a ponta.

Em 2019, a Bcredi cresceu mais de quatro vezes, quando comparado a 2018 e fechou com originação superior a R$100M. Por meio de solução white-label de crédito (“credit-as-a-service”), a plataforma conecta e monetiza a relação dos parceiros com seus clientes. Nessa estratégia de originação "B2B2C" já recebeu cerca de R$2bi de leads, de mais de 50 parceiros diferentes entre outras fintechs, imobiliárias, bancos e securitizadoras/fundos. Hoje, o portfólio da fintech é de R$700M sob gestão e conta com um quadro de mais de 140 colaboradores nos escritórios de Curitiba e São Paulo. No final do ano passado, recebeu o selo GPTW (Great Place to Work). 

2. Como você identificou a oportunidade de mercado para a Bcredi? 
A oportunidade é estrutural aqui no Brasil, onde temos um mercado bancário altamente concentrado nas mãos de poucos grandes players. As pessoas pagam taxas absurdas na contratação de crédito e isso não é segredo para ninguém. Infelizmente o brasileiro "se acostumou" a pagar muito mais do que deveria ou poderia. E, num cenário de baixa competição, os bancos nunca se preocuparam muito em oferecer produtos mais "justos"... o que ajuda a explicar as taxas exorbitantes de produtos tradicionalmente usados pelos brasileiros como cheque especial e cartão de crédito.

Nossa proposta é justamente oferecer uma solução de crédito "mais saudável" para todos os brasileiros que possuem um imóvel (estamos falando de 50 milhões de imóveis livres no Brasil!!), que passam a ter acesso a taxas muito mais baixas e prazos muito mais longos. Na prática, estamos falando de uma redução de aproximadamente 80% no valor mensal que esses clientes costumavam gastar com bancos. Imaginem que algúem que gastava R$4mil reais por mês passa a ter uma parcela aproximada de 800 reais, uma economia mensal de R$3.200. Dessa forma, conseguimos com que os clientes mantenham um orçamento menos comprometido por dívidas.

Além disso, quando falamos de uma forma mais saudável, pensamos também na experiência de uma forma mais humana, tanto para nossos clientes quanto para nossos parceiros. 


3. Qual é o seu maior conselho para quem deseja empreender?  
Eu sempre falo, antes de tudo, que seu desejo por empreender seja genuíno. Ou seja, a sua vontade deve estar atrelada a um propósito real de vida, que te preenche, que faz sentido. Pois só assim você terá coragem e força para enfrentar os desafios que uma jornada empreendedora poderá trazer.

Em segundo lugar, sempre coloco o foco e energia. É importante entender que todo processo tem uma longa jornada, cheia de altos e baixos, por isso tenha em mente o que você realmente quer. Tenha determinação e resiliência. Acreditar que é possível, é combustível necessário.

E, para encerrar, acredito que ninguém faz nada sozinho. A formação de um bom time é essencial.

4. Qual foi o maior desafio que você já enfrentou enquanto empreendedora?
A própria decisão de empreender. Eu trabalhava em uma instituição financeira estabelecida, consolidada e tinha uma carreira promissora lá dentro como executiva. Troquei essa zona de conforto pela vida de empreendedora, o certo pelo duvidoso. Então, tomar essa decisão foi o desafio inicial. O produto que hoje é o cerne da Bcredi já existia, mas não da forma que eu sonhava que ele deveria ser. Meu sonho era humanizar o processo de concessão de crédito, transformar a cultura do ambiente de trabalho de forma mais inclusiva, ter um ambiente menos "top down".

Ne teoria é tudo lindo, mas botar de pé não é fácil. Desde o início tive que aprender a lidar com frustações, com o medo e o risco diário do universo empreendedor. Montar um time jovem é outra conversa à parte: as pessoas têm boas intenções, mas no final do dia é mais fácil pedir e reclamar do que assumir responsabilidade e resolver. E você precisa desde o início de pessoas engajadas no propósito mas que queiram assumir a responsabilidade contigo: esse foi um dos meus maiores aprendizados, senão o maior. Empreender pode acabar sendo uma jornada bastante solitária. 

Além do lado profissional, o desafio está em saber equilibrar a pessoa física e jurídica - é essencial tanto para a saúde do negócio como da Maria Teresa. Nesse quesito sempre levanto questionamentos que me ajudam a balizar e até alinhar expectativas, como “o que é realmente o fracasso?” e “o que é a vitória e quando devemos comemorar?”. E nisso procuro cada vez mais dar valor à jornada em si e não pontualmente aos erros e acertos. É importante curtir a jornada e ter um ambiente leve de desenvolvimento e aprendizado, mesmo com metas ousadas de crescimento... senão de que adianta tudo isso?


5. Você sente que até hoje ainda exista muita distinção entre homens e mulheres neste mercado? Como você pensa combater isso?
Existe, principalmente quando falamos da alta gestão e dos tomadores de decisão de grandes grupos e empresas. Quanto mais tradicional e top level, mais visível é esse comportamento.

Eu acredito que existe um meio para combater isso hoje em dia e posso até resumir em uma palavra: coragem. E é preciso que isso não seja apenas um discurso de RH. A diversidade deve ser vivenciada, discutida e incorporada no dia a dia das empresas. O comportamento distintivo entre homens e mulheres é intrínseco às corporações e cabe a nós, líderes, acabar com isso na prática.

Apesar de ser uma pessoa otimista, que acredita que essa mudança é possível, embaso meus pensamentos em números que dizem que ainda temos um bom caminho a percorrer. Uma pesquisa feita pela McKinsey & Company: apenas uma em cada cinco executivos de nível C é mulher.  


6. Como é ser mulher e empreender em um mercado majoritariamente masculino?
Não foi fácil chegar até aqui, mas quando olho para trás e vislumbro o futuro da Bcredi, afirmo, é maravilhoso! Esse é o momento de dar voz a toda nossa luta, poder mostrar de forma prática uma empresa que está crescendo (e temos números para provar), é o resultado da nossa humanização e diversidade. Tratamos nosso dia a dia de forma mais empática e isso é transformado em engajamento e consequentemente em resultados.

Então, reforço que é um desafio maravilhoso e dedico isso a um time diverso que me apoia de ponta a ponta, acredita no propósito da Bcredi e luta comigo para impactar a economia do país de forma saudável. 


7. O que você espera do mercado para as empreendedoras mulheres em 2020?   
Apesar de não ser fácil, estamos conseguindo cada vez mais espaço e isso tem muita força. Como citei, sou uma mulher otimista. Precisamos nos apoiar e agir, para termos voz ativa e para fazermos diferença num escopo muito mais amplo, que inclui, mas não se limita, mercados inerentemente mais "femininos". O exemplo é a maior inspiração que pode existir, porque mostra que não só é possível, como também é extremamente poderoso o nosso protagonismo em projetos que visam um mundo mais evoluído, mais humano. Para 2020 e todos os anos que temos pela frente, a coragem é essencial para tomar esse espaço de fala, atitudes e resultados.

Curtiu conhecer um pouco mais sobre a trajetória da Maria Teresa Fornea? Aproveite também para nos contar as histórias de sucesso das empreendedoras que você mais admira!

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