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Lições de mulheres negras de sucesso para sua jornada no empreendedorismo

Convidamos a Deh Bastos e a Paula Batista, idealizadoras do projeto Criando Crianças Pretas e participantes da 3ª edição do PUSH, para trazerem ao site do PUSH uma pauta super especial com as lições de sucesso de algumas das mais admiradas mulheres negras. Quer saber como essas mulheres traçaram uma jornada de sucesso? Confira abaixo o que podemos aprender com as suas histórias!

 

Rihanna, a musa da autenticidade.

O mundo reconhece a ousadia de @badgalriri como uma marca registrada da sua carreira. Com 31 anos, além de cantora, Rihanna é compositora, atriz, diplomata e uma empresária com ganhos bilionários. Ela já declarou que o início da sua carreira foi claustrofóbico, pois não podia ser ela mesma. Primeira lição importante: Assumir sua personalidade pode te poupar muita energia.

Rihanna é muito mais que um “bom close”, mesmo sendo uma mega star fashionista: para as marcas que levam seu nome, ela utiliza um formato de contrato não convencional para o mercado artístico, envolvendo, por exemplo, royalties na venda por unidade dos produtos. A inovação está presente em tudo que ela assina, assim como a representatividade, a diversidade e a inclusão estão presentes nas suas estratégias, produtos e divulgações.

 

Djamila, a filósofa POP

A filosofia muitas vezes foi vista como o lugar de grandes pensadores homens e inacessível para muita gente, mas Djamila Ribeiro bateu de frente com essa concepção e tem se empenhado para mostrar que a filosofia é campo de mulheres e mais, de mulheres negras. Conhecida como filósofa pop, a Mestre em filosofia política e ativista do movimento negro está tornando acessível o conhecimento sobre pautas que antes estavam cercadas de muito tabu como o Feminismo Negro e o Lugar de Fala, temas de seus dois primeiros best sellers. Além de seus livros, ela encabeça a coleção Feminismos Plurais, que convida autores negros para escreverem sobre temas que permeiam a negritude brasileira - a publicação já está em seu sétimo título.

Nos últimos anos, Djamila se tornou referência nas discussões raciais, palestrando pelo mundo, participando de programas de TV e ganhando muitos prêmios. A filósofa transpôs barreiras ao escolher abordar o racismo de forma acessível, sendo muitas vezes didática, como em seu último livro Pequeno Manual Antirracista, lançado este ano.

Ela está fazendo a sua voz e as questões que envolvem o racismo e o feminismo negro chegarem a espaços onde antes não havia abertura para o tema. Nessa estratégia, ela consegue atingir públicos diversos “Não podemos ter militância arrogante e achar que as pessoas têm que saber tudo. Muito pelo contrário, temos que estar sempre aprendendo. É fundamental trabalhar para que cada vez mais as pessoas tenham acesso a reflexões para entender que elas têm direitos. Na Casa de Cultura da Mulher Negra (em Santos), eu atendia mulheres que sofriam violência. Quantas acreditavam que casamento era aquilo. Não entendiam que uma vida sem violência era um direito. Mas isso só acontece quando a gente democratiza as questões” disse Djamila em entrevista para o portal GaúchaZH.

Se seu propósito é fazer sua mensagem chegar mais longe, faça como a Djamila, mude o tom do discurso, mude a direção e os ouvidos que te escutam, e vá mais longe.

 

Michelle Obama, a Mulher Primeira

Por muito tempo ela foi conhecida como a mulher do Obama, mas depois de lermos a biografia de Michelle, consentimos em concordar que Barack tem muita sorte em ter essa mulher incrível como companheira. E não nos enganemos em achar que se trata da frase machista “atrás de um grande homem tem sempre uma grande mulher” porque, no caso, Michele muitas vezes veio ao lado e em outras, à frente, como quando foi chefe de Barack no escritório de advocacia.

Considerada a mulher mais admirada do mundo, sua biografia foi lançada em 36 países e virou livro de cabeceira de muitas líderes empresariais. Ela tem feito muitas admiradora, já que é difícil não se identificar com pelo menos um dos desafios vivenciados ao longo de sua vida como filha, irmã, estudante, profissional, mãe... Com certeza você tem algo em comum com Michelle.

O segredo de Michelle? Nunca se calar! Desde muito pequena, era no argumento que ela, às vezes, constrangia os adultos, mas era firme na colocação de suas opiniões e percebemos que é assim até hoje. Com Michelle, não há meias palavras. Apesar disso, surpreende com a sua capacidade de resiliência: “Desde que entrei, relutante, na vida pública, fui considerada a mulher mais poderosa do mundo e apontada como uma “mulher negra raivosa”. Queria perguntar aos meus detratores qual parte da expressão eles consideram a mais relevante — “mulher”, “negra” ou “raivosa”? Sorri para fotos com gente que chamava meu marido de nomes horríveis em cadeia nacional, mas mesmo assim queriam uma lembrança emoldurada para pôr no console da lareira. Ouvi falar dos lugares lamacentos da internet que questionam tudo a meu respeito, até se sou homem ou mulher. Um congressista americano já fez piada da minha bunda. Fui magoada. Fiquei furiosa. Mas, acima de tudo, tentei rir dessas coisas.”, afirmou Michelle em um trecho de uma biografia.

Michelle Obama é aquela amiga focada que todas nós queremos ter para nos inspirar e encorajar nos momentos de perrengue.

 

Suelen é potência, competência e elegância

Suelen Marcolino é gerente de relacionamentos do LinkedIn e líder do BIG (Black Inclusion Group) na América Latina. A executiva da maior rede de contatos profissionais do mundo contou especialmente para o PUSH o que aprendeu ao longo da carreira: a mulher negra tem dois enfrentamentos, o racial e o de gênero. "Aprendi ao longo da minha carreira que se não colocasse minha opinião, não seria ouvida. E com isso, notei que o ‘como’ colocar minha opinião fazia toda diferença. Comecei então a desenvolver habilidades que sentia que eram necessárias, além das requeridas pelos cargos que eu ocupava, para conquistar e manter meu lugar na mesa. É uma preocupação ‘extra’ que sempre precisei ter, sobretudo do ponto de vista racial, e não permitir que minha visão ou mesmo minha presença fossem ignoradas. Desenvolver esses mecanismos tornou-me mais atenta, participativa e questionadora, já que em geral, era “a diferente” no local. Aprendi a usar essa ‘diferença’ a meu favor e a contrariar os estereótipos que possivelmente nutriam a meu respeito."

Suelen transita com diplomacia nos espaços de privilégio onde os negros são minoria (mesmo sendo 54% da população). Ela acredita que a busca pelo conhecimento é o maior investimento que se pode fazer por si: "Conhecimento é poder. Sendo assim, minha lição seria buscar conhecimento tanto quanto for possível - o que já é um desafio, dadas as condições gerais de acesso da população negra no nosso país. Também acho importante ter consciência do nosso passado. Nossa história não começou com a escravidão, portanto, não temos que corresponder ao estereótipo que esta sociedade desenhou para nós, nem perder nossa identidade para estarmos nestes espaços (já que outras etnias podem mantê-la)”, aconselha a executiva.

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