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Lela Brandão: conheça a artista que encoraja mulheres com ilustrações feministas

Lela Brandão é artista, empreendedora, talentosa e com uma criatividade ímpar capaz de desenvolver arte em parede, nas ruas, no computador e, claro, no papel. Lela conversa com o público sobre feminismo, autoconhecimento e desconstrução de uma mulher de 25 anos.

Você com certeza já viu algum trabalho da Lela por aí. Atualmente, ela se divide em dois grandes projetos: o Estúdio Sinestesia, seu portfólio de arte em parede, que, segundo a própria artista, é o que mais gosta de fazer, e o seu Instagram pessoal, @lela.brandao, onde compartilha ilustrações digitais de mulheres de diferentes etnias, corpos e idades, com frases como “não quero flores, quero o fim do feminicídio” e “bonito é ser real”.  “O que eu mais gosto de fazer é a arte na parede, e minhas inspirações para esse trabalho vêm sempre da natureza. Mas no Instagram @lela.brandao eu compartilho bastante trabalho, então tenho que dividir bem a atenção entre eles”, conta Lela Brandão.

 

Segundo Lela, tudo que você produz tem uma parte de você mesma. “As artes que eu produzo vêm com algo escrito, e todas vêm de alguma reflexão que eu tive: livros que li, conversas que tive, documentários que assisti. A minha tentativa é entender o que reverberou em mim e traduzir de uma forma simples para chegar em outras pessoas”.

O Instagram também foi grande aliado de Lela. Antes de viver da sua própria arte, Lela fazia faculdade e estágio de arquitetura. Foi quando a GoCase, marca de capinhas de celular, assinou um contrato com a artista. “O Sinestesia já estava cheio de demandas, o Instagram pessoal crescendo cada vez mais e, com a GoCase, também teria um dinheiro fixo. Foi aí que decidi deixar o estágio de lado”, explica.

O trabalho com o feminismo começou ainda antes desses projetos. Você também já deve ter se deparado com o projeto Frida Feminista, encabeçado por Lela, que colocou diversos lambe-lambes com uma ilustração da Frida Khalo com frases como “seja o amor da sua vida” e “sinta a paz de amar o seu corpo”. Na rua, Lela consegue atingir ainda mais mulheres que se encorajam com frases de amor próprio que quebram padrões de beleza da sociedade.

A Frida é a marca registrada do Estúdio Sinestesia, além de ser um símbolo do feminismo. O desenho foi feito pela própria Lela e hoje é reconhecido por ser do #fridafeminista. Através do projeto, outras mulheres se identificaram e se interessaram em participar. “Eu converso muito com outras mulheres para ter inspiração. É um exercício diário”, completa.

 

Além de todos esses projetos, Lela também se aventura com um canal no Youtube com mais de 38 mil inscritos, onde compartilha vídeos sobre feminismo, fatos sobre ela mesma, dicas e assuntos do universo feminino. “Eu percebi que as pessoas tiveram uma troca melhor comigo a partir do momento em que eu mostrei minha cara. Quando eu comecei a compartilhar mais a minha vida, eu apresentei o contexto de onde estavam vindo essas reflexões: eu sou uma mulher, branca, de classe média. Foi com esse entendimento, esse ponto de partida, que as pessoas começaram a engajar mais”, conta.

A arte tem sim o poder de empoderar pessoas. Para Lela, o que mais inspira as mulheres nas suas artes são as reflexões, pois isso as encoraja a terem autonomia dos seus próprios processos, e a prática de falar sobre o assunto: “muitas pessoas que nunca tiveram contato com o feminismo caem na minha página, acompanham o meu dia a dia e pensam que “é possível ser feminista e levar uma vida sem o estereótipo da raiva”, não que nós não sintamos raiva das coisas, é claro que sentimos, mas isso não significa que a nossa vida é pautada na raiva ou que passamos raiva o dia inteiro”, comenta.

Viver da sua arte não é fácil, mas, por aqui, admiramos muito as mulheres que se superam e conseguem trabalhar com aquilo que amam e que as completam. Para Lela, a maior dica para quem quer seguir com essa carreira é ter coragem de mostrar as suas coisas para o mundo: "Enquanto ninguém ver, elogiar ou até criticar, o trabalho fica só para você. Mesmo em fase embrionária, mesmo achando que ainda temos muito a aprender, precisamos expor os nossos projetos para dar aquele empurrãozinho inicial", finaliza. 

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