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Diário de Imersão em Trabalho Remoto

Sabe aquele momento que a gente percebe que tem algo estranho no trabalho e surge uma vontade de experimentar coisas novas antes de escolher o próximo passo da nossa carreira? Nessa semana, a Volar nos conta sobre trabalho remoto. Confira agora:

Por: Volar

Quase todo mundo passa por ele, e com a gente não foi diferente: as três fundadoras da volar sentiram isso em algum momento e cada uma encontrou a sua forma de experimentar por conta (já contamos pro #PUSH como foi!). 

Mas faltava um jeito mais simples para todos que também querem mudar, algo que cruzasse as nossas curiosidades com a realidade, com organizações do mundo real. Como experimentações offline de diferentes formatos de trabalho para a gente conhecer a realidade em primeira mão.

E isso se materializou em um programa que combina imersões profissionais de uma semana. Montamos a primeira dessas experiências combinando quatro semanas, que contemplam: STARTUP, ONG, TRABALHO REMOTO e TROCA DE SERVIÇOS.

Na semana passada dividimos por aqui nossos principais insights da imersão com a ONG! 

Essa semana imergimos na "rotina" dos trabalhadores remotos. Um formato de trabalho, que te permite trabalhar de qualquer lugar, desde que tenha um computador. Trabalhar remotamente não é modelo de negócio e nem job, como dissemos: é formato de operação.

Por isso cada dia dessa semana foi vivido em um local diferente, entre cafés, co-workings, espaços públicos e home-office. Em cada um dos dias conversamos com pessoas encontramos trabalhando remotamente para entender mais sobre o que eles fazem, como é o estilo de vida, como transitar por esse caminho, desafios e alegrias.

Encontramos várias dicas e tivemos muitos insights que valem não só para quem trabalha remotamente, mas para todos os formatos e muitas vezes para a vida! Vamo nessa?

DIA 1 - Todo mundo tem um sonho ou ideia, e sempre dizemos que vamos realizá-la 'mais tarde', mas se continuamos dizendo mais tarde, é provável que nunca faremos

Neste dia escolhemos trabalhar de um café, o Copenhagen coffee Lab. Chegamos às 12h e ficamos até as 19h. Em algum momento da tarde contamos 11 pessoas com notebook em suas mesas. Fomos então conversar com alguns deles para entender no que trabalhavam e como era esse estilo de trabalho.

Entre eles, conhecemos a Eva, uma professora Californiana, que tinha morado na Espanha e na República Dominicana, e que agora estava passando uma temporada em Lisboa para escrever um livro.

Assim como ela, muitas pessoas tem um projeto que sonham realizar e ela nos deu boas dicas sobre isso:

1) Um ambiente que te inspire

2) Definir metas por dia e se comprometer com as horas que dedica ao trabalho.

O ambiente do café é descontraído e não tem a mesma pressão que trabalhar em um escritório. O trabalho deixa de ser um pesar, um “tem que”, e passa a ser uma escolha. O tempo passa mais rápido. No entanto, é fundamental disciplina. Não ter supervisor e não ter horário fixo, no final você só conta com você mesmo e se livrar das distrações pode ser um grande desafio!

Criar uma rotina de compromisso pode ser a chave para tirar o seu projeto do papel.

DIA 2 - A transparência é fundamental

Começamos o dia no Home-office e seguimos a tarde para o co-working chamado Second Home. Lá encontramos com a Beatriz, ela é residente do co-working e trabalha remotamente como pesquisadora para uma empresa na Inglaterra.

Ela conta que teve as suas primeiras experiências trabalhando remotamente quando ainda estava no Rio de Janeiro e fazia home-office nas sextas-feiras. E que agora, apesar de ser residente do co-working, ela e a equipe sempre estão em diferentes lugares.

Ela contou que quando se cansam do ambiente vão trabalhar em outro lugar. Geralmente fazer reuniões nas segundas-feiras de manhã com um brunch em um café, isso dá um outro tom para a semana. Nunca é monótono.

Ela conta que para trabalhar com uma equipe 100% remota a transparência é fundamental. Cada um tem que ser muito honesto em como se sente, e como pretende operacionalizar as entregas. Eles se comunicam constantemente para entender, entre a equipe, a demanda e os compromissos de trabalho. E que isso permite que eles só se encontrem quando querem, ou seja, sempre estão com “o melhor” um do outro. Para isso é fundamental ter muita confiança e estabelecer processos.

DIA 3 - Apenas dê o primeiro passo, mesmo que seja com um freela pequeno

A Mariana viveu em São Francisco, na Costa Rica, e trabalhou por 1 ano e meio como freelancer e como nômade digital até chegar em Lisboa. Ela conta que quando começou a viajar não tinha clientes e que usou sites como o Upwork para conseguir trabalhos como freelancer.

Começar trabalhar como freelancer por de ser um bom caminho para migrar para o remoto. Pequenos trabalhos podem virar grandes projetos e até uma posição full-time. Você pega um trabalho pequeno, e depois outro e outro, e algum desses pode evoluir para um projeto de médio prazo e/ou longo prazo. Quando a empresa gosta do seu trabalho e já tem um relacionamento construído, eles fidelizam o trabalho e pode até chegar à uma posição fixa se for necessidade da empresa. 

A parte boa de trabalhar remotamente é a liberdade que se tem de lidar com o próprio tempo. Apesar do formato ter a potencialidade de ser maravilhoso para integrar e balancear a vida profissional e pessoal, talvez não é para todo mundo. A Mariana falou sobre três pontos que para ela é fundamental para quem quer trabalhar assim:

1 - Gostar da liberdade de tempo;

2 - Sabe gerenciar muito bem o próprio tempo;

3 - Fica bem estando sozinho. Porque o trabalho remoto pode ser solitário muitas vezes.

A razão de termos estado no Rèsves co-working nesse dia é relativo ao terceiro ponto. A Mariana contou que, para ela, é muito melhor trabalhar de um co-working. Estar perto de pessoas produtivas, a faz mais produtiva, e a faz sentir-se menos isolada.

DIA 4 - Estar em um ambiente diverso, é uma forma de desenvolver habilidades interpessoais

No dia anterior tivemos uma conversa sobre como o trabalho remoto pode ser solitário às vezes. Bem, o papel do Selina é exatamente proporcionar um ambiente para que não o seja.

O Selina é uma rede de hostels no mundo com cinquenta e quatro locações, sendo três destas em Portugal, e uma em Lisboa. É um espaço conhecido por ambiente nômade. Eles proporcionam uma combinação de espaço de co-working, cafés restaurantes e quartos privados e dormitórios.

Conversamos com a Bia, gerente de experiência do Selina Lisboa e ela falou que o papel dele é exatamente colocar essas comunidades juntas: expatriados, trabalhadores remotos, digital nômades e mochileiros. Para isso além da estrutura que todos os selinas possuem, eles sempre realizam eventos, de entretenimento, culturais e também promovendo conversas e palestras de nômades para nômades. É um lugar muito conectado com a seu local, com a música e com a arte.  

Ficamos curiosos sobre o que faz um ‘gerente de experiência’ e a Bia contou que a sua 

rotina é falar com pessoas, estar em eventos, criar conexões, e entender como estão as coisas, como precisa melhorar, a experiência é gerenciada não só para os clientes e hóspedes, mas para os funcionários também. Está sob a sua responsabilidade toda a agenda cultural, conversar com os hóspedes, e lidar com problemas que surjam no meio disso. Tornar a experiência de cada um a melhor possível.

Para quem tem interesse em trabalhar com algo assim, segundo ela, o carisma é algo importante, ser comunicativo e estratégico. É preciso saber falar as coisas certas na horas certas e principalmente saber gerenciar as expectativas das pessoas. É criar conexões reais e relacionamentos reais.

DIA 5 - A melhor parte, às vezes, pode ser a pior também

No último dia da semana, encontramos com a Laís, ela é nômade digital e estava passando o mês em Lisboa. Trabalhamos juntas da Biblioteca pública Palácio Galveias, que possui uma ótima estrutura para quem quer estudar e trabalhar, por vezes melhor que muito co-working.

Entre um período de trabalho e outro, tiramos uma pausa para tomar um café e conversar sobre os desafios da vida de nômade digital. E claramente o maior desafio é unânime: pessoas. O que move, em geral, pessoas que trabalham e viajam ao mesmo tempo é a possibilidade de conhecer culturas, lugares e pessoas diferentes. Acontece que relações e conexões levam certo tempo para serem construídas e o ser humano em geral precisa de um tempo de adaptação para o novo.

E é comum que quando as relações são estabelecidas e o nosso sistema acabou se sentir mais confortável dentro daquele ambiente, já é hora de partir novamente. E o “melhor” acontecendo repetidamente, acaba por ser o  “pior” também para algumas pessoas, porque é um esforço constante de conectar com os arredores e com as pessoas de onde se está inserido.

No entanto, nada precisa ser definitivo, oito ou oitenta, a Laís contou que está considerando adaptar o seu formato de trabalho para ter uma base fixa e viajar quando tem vontade. Assim sempre terá uma comunidade para onde voltar. A melhor forma você só vai saber experimentando.

PENSE ALÉM - CRIE UM ECOSSISTEMA DE OPORTUNIDADES

O que mais defendemos é a experimentação! Falamos de modelo de negócios, de rotina e de formato de trabalho, vamos agora te mostrar como é possível explorar e combinar possibilidades para construir o seu caminho único!

Semana que vem estaremos explorando e desconstruindo a famosa “permuta”, quando se troca trabalho por serviço. Vamos na prática mostrar como isso pode ser benéfico para experimentação profissional e para o desenvolvimento de habilidades e oportunidades.

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