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Diário de Imersão em Start Up

A Volar se propôs a viver quatro formas diferentes de trabalhar explorando possibilidades em setores e ambientes. Confira como foi a imersão na Tuki, uma start up de Lisboa.

Por: Volar

Antes de tudo, um alerta: só escrevemos sobre aquilo que vivemos.

Isso significa que:

1) Todo o conteúdo vem de experiências em primeira mão;

2) As descobertas dizem respeito à nossa perspectiva e;

3) Tudo serve como referência (e não norma).

Digo isso porque depois de escrevermos sobre mudar para o exterior e sobre tirar projetos do papel, depois de usar conceitos como Futuro do Trabalho e Liberdade Profissional, depois de apresentarmos nosso time e nosso QG - nada faz mais sentido do que contar sobre como nós colocamos a volar no mundo. 

Estamos construindo uma comunidade para discutir e experimentar trabalho. Durante um mês, nos propusemos a viver quatro formas diferentes de trabalhar - explorando possibilidades profissionais nos mais diversos ambientes e setores.

Aqui está um diário de aprendizados que tivemos sobre empreendedorismo nos cinco dias que imergimos em uma startup:

DIA 1 - Esteja atenta

O ambiente de trabalho era o coworking de uma incubadora. Reunimos o nosso time e o time da Tuki (a startup) para uma conversa de apresentação das empresas, de cada história e das pessoas. O ambiente é descontraído e a apresentação (das pessoas e da empresa) foi como ouvir uma boa história, as peças se encaixando gradualmente. 

A lição do dia foi: Atenção. Algo cada vez mais difícil em tempos onde a informação do mundo (e dos nossos círculos sociais) anda com a gente, no bolso da calça. A Tuki é uma solução de comunicação e organização para o trabalho em turnos (de restaurantes e bares), que funciona como um aplicativo de carona (os prestadores de serviço com mais controle sobre sua agenda). Essa ideia surgiu, para o CEO, ao ouvir um amigo garçom reclamar durante uma viagem de Uber. A relação entre informações aparentemente desconexas só acontece se estamos constantemente atentos à nossa volta.

Em outra situação o fundador saía de uma reunião com mentores em um programa de aceleração da Universidade NOVA e se deparou com um grupo de mestrandos, no café, usando crachás. Um dos nomes (e sua especialidade) lhe chamou a atenção, e a abordagem a ele foi direta  “Você é cientista de dados? Preciso falar com um cientista de dados”. Se qualquer um dos dois estivesse com os olhos baixos no celular, poderiam ter perdido a oportunidade de tornarem-se sócios.

DIA 2 - Seja objetivo

Conhecemos a empresa pelas pessoas e pelo seu produto. A medida que íamos nos aprofundando, oferecíamos feedback e sugestões nas áreas que já tínhamos experiência profissional. Fomos às ruas com eles fazer customer discovery. É só fora do escritório que as empresas conversam com os clientes e, assim, vêem a realidade dos problemas que tentam resolver. Conversamos com restaurantes sobre a organização dos turnos e a comunicação do time, dedicados a criar um diálogo que nos trouxesse ideias e informações relevantes para aperfeiçoar o produto.

O primeiro instinto foi abordar todos os estabelecimentos da região. Afinal, “não queremos privar ninguém da solução”. Já que eles tem planos de expandir para trabalhar com hotéis e serviços em geral, soava "limitante" se apresentar como uma solução para restaurantes. Apesar de parecer contra intuitivo (já que queremos abraçar o mundo), o segredo é foco! Olhe para o agora! O primeiro degrau é o mais importante: sem ele, não chegamos ao topo.

O mesmo serve para abordar potenciais clientes: informação clara e completa é chave. Tivemos alguns segundos para fisgar a atenção dos possíveis clientes, e aprendemos que tudo que for "amplo demais" é a receita para que não se identifiquem. Se já sabíamos quem eram e qual era o seu perfil (porque fizemos nossa pesquisa), quanto mais direcionada fosse nossa fala, mais chances temos de criar uma conexão e, assim, gerar os frutos que estamos buscando.

DIA 3 - Dê seu melhor

Ao longo dessa imersão (nesses cinco dias) muito estava sendo descoberto pelo caminho. É o que acontece frequentemente nos nossos dias. Não ter medo de experimentar significa que o resultado é inesperado. Só quando damos nosso melhor, estamos tranquilas com isso. Foi o que fizemos na Tuki: observamos, absorvemos, analisamos e tivemos a preocupação genuína de um feedback claro e relevante.

No terceiro dia, nos chamaram para participar de uma reunião de estratégia junto aos seus mentores. Não sabíamos da agenda, não havíamos pedido para participar e nem considerado, mas com as informações e feedbacks que estavam recebendo da gente, fazia sentido para eles que tivéssemos acesso àquele conteúdo. Para nós também foi incrível, já que era parte de um processo de aceleração e os direcionamentos vinham de experts. É o tipo de coisa que teríamos perdido, sem nem saber, se nos contentássemos apenas com possibilidades que conhecemos.

DIA 4 - Se permita descansar

Colocar algo novo no mundo é um desafio. São milhares de estímulos, centenas de coisas para resolver e dezenas de atividades e pensamentos concorrentes. Imergir em uma organização nova, ainda mais em um período curto de tempo, exige energia. O ritmo é diferente e além do proposto ainda é preciso conhecer as pessoas, os processos, as particularidades. Ao mesmo tempo que acompanhávamos a rotina e fazíamos (incontáveis) perguntas, ainda registrávamos a informação e consolidávamos descobertas e insights. Eram dois turnos, pelo menos.

A Nat chegou no terceiro dia dizendo “ Hoje vou sair as 18h, preciso ir meditar”. É uma vitória reconhecer, aceitar e buscar formas de descansar. E não é só necessário para evitar o esgotamento: é uma forma de recarregar o cérebro, criar conexões novas e possibilitar ideias que de outra forma não existiriam. A pausa deve ser vista como parte essencial dos nossos dias: assim como é parte oficial das nossas imersões. Mesmo que seja para ouvir uma música e deixar o pensamento solto por alguns minutos.

DIA 5 - Valorize a opinião do outro

Ouvir feedback nem sempre é fácil, principalmente quando diz respeito a produtos e ideias nas quais trabalhamos com unhas e dentes por longos períodos de tempo. Quando nos propusemos a observar processos e criar sugestões sobre o negócio de outras pessoas, durante esses cinco dias, imaginamos que alguma parte seria ouvida e o restante descartado. Empreendedores, em geral, ouvem muitas opiniões diariamente e realizam pesquisas extensas - ambos fontes de informações valiosas que desconhecemos. É natural que cada negócio julgue o caminho a seguir de acordo com valores e opiniões próprios.

Mas expectativa e realidade muitas vezes diferem. Nossas colocações (o conteúdo e a abordagem) tiveram um peso maior do que esperávamos. A reação defensiva serviu de feedback à nossa forma de trabalhar e levantou dúvidas sobre como oferecer os próximos insights para evitar fricção desnecessária. Afinal, já sabemos que nossa opinião é externa ao negócio e deve ser considerada como tal. Esse é um equilíbrio importante: ouvir o outro, mas saber quando confiar em si se as ideias contrastam.

Na volar acreditamos que tudo o que ouvimos é relevante, que devemos entender como somos percebidas e que é nosso papel julgar o que serve ou não. Acreditamos que quando limitamos os estímulos, perdemos a capacidade de escolher e, assim, de aprender com eles.

Então:

Sabemos que cada organização é diferente e que, muitas vezes, a riqueza mora nos detalhes. 

Mas acreditamos que existem padrões quando trabalhamos em formatos diversos, vivendo ambientes propícios a cada profissional e negócios.

Estamos buscando esses padrões, e todas as formas que podem contribuir e acrescentar uns aos outros.

Semana que vem estaremos conhecendo a rotina das ONGs - descobrindo todas as sinergias e complementariedades. E vamos contar tudo por aqui :)


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