Desde a infância nos perguntam "O que você quer ser quando crescer?" Mas aí crescemos um pouquinho e justamente na idade de escolhermos o que queremos fazer, as pessoas que temos como referência na vida começam a manifestar uma forte torcida para escolhermos opções profissionais que são "mais apropriadas" para o nosso perfil. Se identificou?

No meu caso foi isso que aconteceu. Cresci em uma cidade pequena de Santa Catarina, onde a única coisa que eu queria fazer não era uma opção. Ir para a universidade. Meus pais, no limite da sabedoria de quem estudou até a terceira série de primário, acreditavam que o melhor para mim era trabalhar no chão de fábrica das indústrias da cidade ou se eu tivesse sorte, ser estilista de loja de moda. Tentei a segunda opção. Aos 16 anos fui chorando fazer a prova para o tal curso de estilismo. No final, claro que não fiz a prova e disse para os meus pais que não tinha passado.

Comecei a entender que eu precisava assumir o comando da minha vida se eu quisesse realizar os meus objetivos.

Foi assim que me tornei modelo internacional. O mundo da moda me abrigou e transformou  minha vida! Viajei o mundo, aprendi a falar inglês e francês sozinha, conheci pessoas incríveis, comprei meu primeiro salto alto e finalmente, conquistei minha tão sonhada independência financeira para financiar meus estudos! Agora, já formada em marketing e fundadora da HerForce -  a primeira plataforma de divulgação de vagas e avaliação de empresas voltada para Mulheres no Brasil - tive que conquistar o meu espaço no mercado de trabalho. Como? Não foi fácil, mas minha vida mudou depois que comecei a seguir os seguintes passos:


Autoconhecimento

Antes de escolher um caminho a percorrer, pare e reavalie quem é você. Atenção! Este é o passo mais importante. Ao se conhecer, você identifica o que curte fazer na vida, os seus limites e reconhece com mais facilidade as oportunidades que surgem no seu caminho. Não sabe por onde começar? Comece lhe fazendo perguntas como:

  1. Que tipo de atividades eu curto fazer? Pode ser hobbies,trabalhos voluntários ou funções que você já tenha exercido profissionalmente.
  2. O que eu faria se soubesse que não falharia? O medo de falhar e a cobrança que apenas nós mesmas(os) nos fazemos podem impedir muitos de nossos passos rumo ao sucesso. Nesta reflexão você consegue incluir as atividades que elencou na pergunta número 1.
  3. Quais são os meus pontos fortes e fracos? Vamos deixar bem claro que a intenção aqui não é o julgamento, ok? Este é o momento em que você identifica as suas qualidades para usá-las como ferramentas e identifica os seus pontos fracos para saber como torná-los fortes ou entender o momento de pedir ajuda de uma pessoa expert no assunto.


Busque os recursos para fazer acontecer

Quando falamos de recursos, nem sempre estamos falando de dinheiro e principalmente do seu. Recurso pode ser a sua mente brilhante e criativa pensando em tudo que precisa acontecer para conquistar o seu objetivo. Se o seu sonho é ter um negócio próprio, você pode começar ligando para a sua amiga que manja muito de redes sociais para te ajudar a criar uma loja virtual. No meu caso, quando busquei o primeiro estágio, eu sabia que minhas conexões com empresas eram limitadas. Então resolvi ligar para o RH das marcas que eu mais gostava. Eu disse que era uma pessoa bem legal e que estava buscando um estágio. Resultado: consegui uma vaga em uma empresa que nem estava contratando. Fui a primeira estagiária do escritório de São Paulo da marca de camisaria Dudalina.


Networking

Com um pequeno spoiler no tópico anterior, você já pode imaginar o quanto é importante ter conexões com pessoas interessantes que possam te ensinar coisas novas, reforçar crenças positivas e conectar você com o próximo passo rumo ao seu objetivo. Ter um histórico de cordialidade, bons resultados e ética também ajuda na hora de se conectar com pessoas influentes e que sejam referência no seu assunto de interesse.


Postura de líder, sim!

É muito comum entre as mulheres identificarmos a síndrome da impostora. Aquele momento em que sabotamos a nossa deusa interior e passamos a duvidar da nossa capacidade de fazer algo mesmo quando somos especialistas no assunto. Eu mesma lido com isso o tempo inteiro! E por isso, precisamos reafirmar todos os dias que independentemente do cargo que tivermos em nossas carreiras, estaremos sempre no comando das nossas vidas. Mesmo que no começo seja necessário utilizar técnicas para fingirmos ser até o momento em que finalmente nos tornamos! A psicóloga social, escritora e palestrante Amy Cuddy retrata isso muito bem em seu Ted Talk, "Fake it until you become it".


Saiba negociar

Historicamente e culturalmente falando, as mulheres muitas vezes são mal interpretadas quando exercem uma postura mais firme - mais precisamente, quando não agem com ternura, um sorriso no rosto e dizem sim para tudo - o que é totalmente bem visto e esperado da postura de um homem, não é avaliado da mesma forma quando parte de uma mulher. Por isso é muito importante saber se impor quando a situação pode lhe prejudicar e principalmente saber negociar o seu salário quando entrar em uma empresa. Além disso, aprenda a estruturar o seu pedido de aumento. Mostre a sua curva de progresso, as conquistas que você atingiu em equipe e os números sobre o retorno financeiro que o seu trabalho trouxe para a empresa. Lembre-se que não se trata de um favor, trata-se de você ser remunerada à altura do valor do seu trabalho.


Aprenda a dizer NÃO.

Repita comigo: "o NÃO me liberta!" esta palavrinha de três letras é nitroglicerina pura. O que acontece quando você diz SIM para tudo? Resumindo, a sua vida vira um caos. A sua capacidade de entrega diminui, o seu nível de stress vai parar nas alturas e você perde o respeito da equipe virando aquela pessoa que faz tudo o que pedem, não importa o que seja. Portanto, aprenda a dizer NÃO e mostre respeito e amor à você mesma!

Agora que você já sabe por onde começar, não esqueça de compartilhar com as amigas estas dicas. O mercado de trabalho ainda tem muito a evoluir e ter em média 7% de mulheres em cargos onde as decisões realmente são tomadas não é uma opção. Principalmente quando a população brasileira é formada por 51% de mulheres e 54% de pessoas negras. Sim, nossa nação é negra, é mulher e amamos isso!!

 

Silaine Stüpp
Fundadora da HerForce.